Ponto de Vista

Mais do mesmo

"Domingo da Gente" mistura clichês de domingo e rodízio de apresentadores

por Anna Bittencourt
TV Press

 

Sem um nome de peso ou um apresentador para imprimir sua marca no "Domingo da Gente", a Record aposta em um rodízio para o programa dominical. Diante da falta de ideias inovadoras para inserir mais um programa em sua linha de shows – com uma produção a menos desde a saída de Gugu Liberato –, a emissora apostou em um formato batido. Quinze apresentadores, músicos e artistas em geral se revezarão no programa de auditório que leva o mesmo nome e tem a mesma "pegada" do popular e quase infantil apresentado por Netinho de Paula, nos anos 2000. Além de Adriane Galisteu, Ticiane Pinheiro e Geraldo Luis, responsáveis pelos primeiros programas, Daniela Cicarelli, Kelly Key, Scheila Carvalho e a dupla Chitãozinho e Xororó estão na fila para realizar o "test drive".

Com resultados oscilantes, cada apresentador até agora tentou dar sua cara à produção, apesar do formato seguir o mesmo. Com Galisteu, responsável pela estreia, o programa teve ares de maior segurança e maturidade. Digno de seus anos à frente do "É Show!". Por isso, ela já garantiu uma nova oportunidade de comandar o "Domingo da Gente". A audiência, no entanto, foi apenas de cinco pontos. Os programas seguintes, com Ticiane Pinheiro e Geraldo Luis, marcaram, respectivamente, 10 e oito pontos.

Com cerca de oito quadros que também se revezam, o "Domingo da Gente" explora ao máximo a vida de cada apresentador. Prova disso é uma sessão onde os participantes da plateia recebem o direito de fazer perguntas para o líder que está no centro do palco, como se fosse um tipo manjado do "Arquivo Confidencial", do "Domingão do Faustão", onde amigos e familiares expõem os famosos. Fora a constrangedora exibição, sobram competições exdrúchulas e falta de conteúdo. A cada quadro, fica nítida a intenção de infantilizar o telespectador.

Como uma espécie de repetidor do que há de mais óbvio na tevê aberta aos domingos – cachorros que dançam, "hits" do momento, imitadores, mazelas alheias, gincanas e vídeos da internet –, o programa não consegue ir além do "mais do mesmo". O caráter itinerante dos apresentadores evidencia que o "Domingo da Gente" não sabe para onde ir. O que a Record ainda não entendeu é que a fidelidade da audiência é conquistada aos poucos. E que o ingrediente básico para isso é confiar nas ideias, manter a frequência e a coerência.

 
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