Cinco perguntas

Doce reencontro

No ar em "Pecado Mortal", Luiz Guilherme comemora novo trabalho do autor Carlos Lombardi

por Anna Bittencourt
TV Press

 

Luiz Guilherme já passou por quase todas as emissoras. Afinal, tem 45 anos de carreira. Mas, desde 2005, quando fez sua última participação na Globo, em "A Lua Me Disse", tem se dedicado exclusivamente à Record. Depois de cinco novelas na emissora, Luiz Guilherme planejava dar um tempo de tevê para se dedicar mais ao teatro, local onde concentra a maioria dos seus trabalhos e de onde tira o maior prazer como ator. O que ele não esperava, no entanto, era o convite para interpretar o bicheiro Michelle em "Pecado Mortal". "Recebi a sinopse e fui fazer o teste torcendo para passar. É um sonho voltar a trabalhar com a dupla Carlos Lombardi e Alexandre Avancini", revela, relembrando o encontro com o autor e diretor em obras como "Kubanacan" e "O Quinto dos Infernos", ambas na Globo.

Além da extensa carreira no teatro e na tevê, Luiz Guilherme foi levado a outros caminhos por sua voz marcante. "Sempre trabalhei com locução. De mercados a bancos, passando por montadora de carros", diz o ator, que tem uma produtora de "jingles", trilhas sonoras e locuções para peças publicitárias em São Paulo. Sempre buscando se reinventar como artista, ele tem planos de alçar novos voos a partir do próximo ano. "Quero muito dublar um desenho animado, uma coisa que nunca fiz. Quero achar uma animação em longa-metragem para fazer", conta, animado.

 

P – "Pecado Mortal" é seu quinto trabalho do autor Carlos Lombardi. Isso foi determinante na hora de assumir o Michelle?

R – Com certeza. Eu recebi o convite quando ainda estava gravando "Balacobaco". Quando a novela acabou, tive um mês para me preparar para o novo personagem. E já estava pensando em priorizar um pouco o teatro porque vinha emendando trabalhos na tevê. Mas me deu muita vontade de voltar a trabalhar com Lombardi. Principalmente, em uma produção que também tem o Avancini, que me dirigiu em alguns trabalhos com o Lombardi.

P – A intimidade com o texto do autor dá mais liberdade para improvisar na hora de gravar?

R – O Lombardi faz um texto que "cabe na boca" do ator. É inteligente, não tem de ser mastigado. Então, não preciso colocar "cacos". Inclusive, ele não gosta que coloque. Todos sabem disso. O que acontece é uma preocupação, tanto minha quanto dele, de não deixar o Michelle falando um italiano "macarrônico". Eu falo italiano, então coloco uma interjeição ou outra. Senão fica aquele italiano de novela, de paulistano do Bráz, que é um horror. Tentamos nessa novela fazer com que os personagens falassem um italiano diferente.

P – E de que forma você acredita que alcançaram esse objetivo?

R – Geralmente, em novelas, quando o personagem fala em outra língua, traduz-se a palavra depois. Por exemplo, falam lavoro e, na frase seguinte, trabalho. Em "Pecado Mortal", não fazemos isso. Nós usamos palavras fáceis, que permitam a associação com outros termos brasileiros. Isso evita que a novela fique, além de excessivamente didática, chata.

P – E como foi a preparação para viver o bicheiro Michelle?

R – Mais uma vez, foi um trabalho em parceria com o Lombardi. Ele me deu muitas dicas de como queria que ele fosse. Um cara perigoso, sombrio, sóbrio, nada estereotipado de "mafioso italiano". Que usa, basicamente, um tom de voz. E quanto mais baixo, mais perigoso. E, para entender o universo no qual ele está inserido, participei de dois "workshops" na Record. Lá, fiquei por dentro de como funcionava o jogo do bicho na época e como agiam os bicheiros. Essa prática, no final dos anos 1970, era muito perigosa. Era uma guerra para disputar os pontos do jogo.

P – Com trabalhos seguidos na tevê, você pensa em priorizar o teatro quando acabar "Pecado Mortal"?

R – Era um pensamento que eu já tinha na reta final de "Balacobaco" e que preciso botar em prática depois desse trabalho. Já estou na fase de captação de recursos para, a princípio, fazer uma temporada no Rio de Janeiro e em São Paulo da peça "O Velho". É o primeiro texto para teatro do publicitário Márcio Alemão. A peça é sobre um "serial killer" que se entrega após cometer vários assassinatos e o tema central é a banalização da violência.

 

"Pecado Mortal" – Record – De segunda a sexta, às 22:30 h.

 
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